Atualizado 12/03/2018

SC está longe da meta de vacinação por gestantes

Campanha busca reverter a baixa procura por imunização de doenças como a coqueluche durante a gravidez

Divulgação
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Santa Catarina e o país estão distantes das metas estabelecidas pelo Ministério da Saúde para vacinação em gestantes. Por exemplo, a vacina dTpa, que previne contra doenças graves como difteria, tétano e coqueluche, foi aplicada em apenas 38% das pacientes catarinenses no ano passado, mesmo índice nacional. O objetivo é imunizar 95% deste grupo.

Para reverter esse quadro e melhorar a adesão, especialistas acreditam que o caminho passa por informação, principalmente aos profissionais de saúde envolvidos desde os preventivos da mulher até o pré-natal. Por isso foi lançada ontem a campanha “Calendário de vacinação da gestante: Um sucesso de proteção para mãe e filho”, da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, Carla Domingues afirma que muitas mulheres ainda desconhecem a importância da vacinação. No período de gestação, a mulher é mais suscetível a riscos graves de infecções, que muitas vezes podem ser evitadas com as doses.

— A mulher tem um cuidado enorme na vacinação do filho, mas acredita que a imunização na gestação não é tão importante. E com essa articulação vamos levar conhecimento principalmente aos profissionais de saúde, que muitas vezes não sabem indicar a vacinação durante a gestação — diz.

A gerente de imunização da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de SC (Dive/SC), Vanessa Vieira da Silva, confirma que é um grande desafio imunizar adultos.

— Não só a dTpa, mas todas as outras. A população em geral ainda vê a vacina como parte da infância e depois não retorna para atualizar os esquemas vacinais — diz Vanessa.

O presidente do departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, Renato Kfouri, explica que o recém-nascido precisa esperar alguns meses para tomar a vacina, como é o caso da dose que protege contra a gripe, e que seus anticorpos começam a ser produzidos com mais intensidade por volta dos nove meses de vida. Até lá, essa proteção passada de mãe para filho é essencial. Ou seja, a gestante toma a dose pelos dois:

— Temos que focar nos primeiros mil dias das crianças, porque repercutem na saúde para o resto da vida. E as vacinas das futuras mães estão neste contexto.

Especialista diz que orientação médica é essencial na gravidez

A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabella Ballalai, afirma que 82% das pessoas que se vacinam o fazem por orientação dos médicos e reforça a segurança e eficácia das vacinas que fazem parte do Programa Nacional de Imunização.

— É uma intervenção segura, eficaz, gratuita e que protege dois ou mais indivíduos ao mesmo tempo. A mãe tem o direito dessa informação. Por isso, obstetras precisam recomendar a vacinação durante a gravidez — diz.

Além disso, é importante lembrar que para ajudar a prevenir outras doenças graves a recém-nascidos, como varicela (catapora) e rubéola, as mães devem tomar a imunização antes da gravidez, porque essas doses são feitas com vírus vivo, mas atenuado (enfraquecido), o que poderia levar a transmissão do vírus ao bebê. É o caso da vacina contra a febre amarela. Mas, diante do grande número de casos e alta letalidade, que pode chegar a 60%, a recomendação é que seja dada a gestantes que correm alto risco de infecção, onde há circulação do vírus.

Fonte: Diário Catarinense
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